sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Hoje me desvinculei da minha principal rede social. Não sei por quanto tempo me manterei ausente deste âmbito virtual, mas creio ter tomado uma boa decisão. Meu lado conservador gritou mais alto. Um conservadorismo às vezes vai bem. Gosto das cartas, dos telefonemas, das visitas.

Esta atitude pouco tem a ver com as milhares de futilidades que entram, inevitavelmente, no meu cérebro, mas com a vontade de dissociar, ao menos um pouco, o mundo eletrônico do meu mundo, das milhares possibilidades de experiências reais que posso adquirir no mundo real. Possibilidades de expressão, de conhecimento, de vivência. E a mais importante: a possibilidade de existência.

Existir. Respirar o ar puro, fora dos poucos metros quadrados do quarto. Sentir os pés no chão, na calçada. Ver pessoas, sorrir para elas, cumprimentá-las, tocá-las. Conversar, dialogar. Trocar palavras, sentimentos. Mudar o que for possível pelos pequenos gestos, não por um mero clique na tela.

A vida é curta. O desperdício do tempo já nos é imposto pela necessidade do sono, oito horas por dia, aproximadamente. Se nos mantivermos conectados durante tantas horas, preocupados constantemente com a vida dos outros, o que sobrará de tempo para nós, para a nossa vida? O quanto sobrará para nossa existência? Talvez seja um cálculo difícil (ou até assustador). Dispensando os cálculos, sei de uma coisa: eu quero tempo para mim. 

sábado, 10 de setembro de 2011

Insônia

briga de gatos na madrugada...
aqui dentro, bem longe,
me sinto arranhada
no meio do escuro, do caos,
entre tantas miadas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

ando triste por não ser
aquilo que queria

tão triste por ser assim
pequenina,
tão miúda, tão pouquinho,
nesse mundo tão gigante.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

eufonia

o barulho não cessa
tapo os ouvidos
o tum-tum-tum continua
é o teu som
dentro de mim
de repente,
tudo que era gigante
tornou-se pequenino.
tudo bem distante
ficou bem pertinho.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

quem disse que de artista não tenho alma
enganou-se enganado

sou artista de mim mesma
pinto e bordo à vontade

tenho, eu sei,
o dom da liberdade

artista é assim mesmo
livre de verdade
vazio, vazio.

como meu poema,
como minha vida,
simplesmente, vazio.