sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Hoje me desvinculei da minha principal rede social. Não sei por quanto tempo me manterei ausente deste âmbito virtual, mas creio ter tomado uma boa decisão. Meu lado conservador gritou mais alto. Um conservadorismo às vezes vai bem. Gosto das cartas, dos telefonemas, das visitas.

Esta atitude pouco tem a ver com as milhares de futilidades que entram, inevitavelmente, no meu cérebro, mas com a vontade de dissociar, ao menos um pouco, o mundo eletrônico do meu mundo, das milhares possibilidades de experiências reais que posso adquirir no mundo real. Possibilidades de expressão, de conhecimento, de vivência. E a mais importante: a possibilidade de existência.

Existir. Respirar o ar puro, fora dos poucos metros quadrados do quarto. Sentir os pés no chão, na calçada. Ver pessoas, sorrir para elas, cumprimentá-las, tocá-las. Conversar, dialogar. Trocar palavras, sentimentos. Mudar o que for possível pelos pequenos gestos, não por um mero clique na tela.

A vida é curta. O desperdício do tempo já nos é imposto pela necessidade do sono, oito horas por dia, aproximadamente. Se nos mantivermos conectados durante tantas horas, preocupados constantemente com a vida dos outros, o que sobrará de tempo para nós, para a nossa vida? O quanto sobrará para nossa existência? Talvez seja um cálculo difícil (ou até assustador). Dispensando os cálculos, sei de uma coisa: eu quero tempo para mim. 

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